Sem pressa
A estrada que a foto mostra diz mais do que qualquer legenda precisaria de dizer: uma curva que esconde o que vem a seguir, uma serra que se dilui em névoa ao fundo, luz de fim de tarde a filtrar-se por entre carvalhos.
Há estradas que existem só para serem percorridas, idealmente, devagar e esta é, sem dúvida, uma delas: uma curva que a serra desenha sem pressa, entre carvalhos que fazem sombra como quem sabe que o sol, ali, também é visita. Não é preciso ir longe para se ficar sem fôlego, basta parar no sítio certo, à hora certa, e deixar que a paisagem faça o trabalho todo.
Confesso uma certa desconfiança por quem precisa de escalar montanhas exóticas para sentir isto. As serras de Ermelo não pedem currículo de aventureiro, mas pedem espírito de caminheiro e que se saiba caminhar sem pressa, olhando com atenção a envolvente, o que, hoje em dia, já é, por si só, quase um desporto de resistência. Talvez seja essa a verdadeira caminhada: não a distância percorrida, mas o tempo que se consegue contemplar a paisagem em volta sem sentir que se está a perder algo mais importante noutro lado.
A paisagem não pede quase nada em troca. Sustém-nos a respiração e devolve-a, sem cobrar, pedindo-nos somente que se saiba apreciar a sua beleza.

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