Reflexão do dia...

Passamos anos a olhar para trás como quem revê um processo e sublinha a vermelho tudo o que “devia ter visto”, “devia ter feito” e “devia ter evitado”. O tempo do verbo que mais nos esmaga não é o passado, mas sim o condicional.

Mas há coisas que, simplesmente, não podias saber antes. Não tinhas ainda as cicatrizes, as quedas e as perguntas certas. O tempo não é só uma corrente inexorável que um qualquer relógio mede: é um mestre que trabalha devagar, muitas vezes em silêncio, enquanto tu julgas que estás apenas em modo de sobrevivência.

Perdoar-te não é desculpar tudo, nem fingir que não doeu. É reconhecer que fizeste o melhor que sabias com aquilo que conhecias na altura. Hoje sabes mais, mas só assim é porque, acredita, viveste precisamente aquilo que agora tentas racionalizar no condicional.

Talvez o primeiro passo para seguir em frente não seja entender o “porquê”, mas aceitar o “quando”: não foi antes, foi agora. E agora já é tempo suficiente para escolheres diferente, com a serenidade de quem deixou de se punir por não ter sido omnisciente e, já agora, omnipresente.

Por isso, perdoa-te por não saberes mais cedo o que só o tempo te poderia ensinar. O que o tempo te ensinou, ninguém te tira. E o que ainda não sabes, o próprio caminho se encarregará de revelar-te, momento a momento, um dia de cada vez.




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