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O próprio nome do movimento não é acidente de retórica: nasce do título de uma peça de 1776, de Friedrich Maximilian von Klinger, e descreve exatamente o que esta imagem mostra. Não a tempestade em si, mas o momento anterior a ela, a acumulação de tensão antes da descarga. Goethe, Schiller, Herder e outros “Stürmer” rejeitavam o racionalismo frio do Iluminismo e propunham algo mais visceral: a emoção acima da razão, a natureza como espelho do estado interior do indivíduo, não como paisagem a admirar com distanciamento clássico. Um Stürmer não olharia para este céu como um fenómeno meteorológico a descrever com precisão; olharia para ele como metáfora do próprio tumulto interior e, provavelmente, exigiria que a tempestade rebentasse mesmo, de preferência com alguma tragédia pelo meio.
Há um conceito alemão, o Erhabene — o sublime — que ajuda a explicar porque é que uma nuvem carregada nos comove mais do que um céu limpo. O sublime não é bonito no sentido convencional, é grandioso ao ponto de nos fazer sentir pequenos, quase ameaçados, e é precisamente dessa ameaça que nasce o fascínio. Esta fotografia funciona nessa lógica: a luz que ainda resiste por baixo da massa cinzenta, o contorno da serra que insiste em aparecer apesar de tudo, são exatamente o tipo de contraste que os Stürmer procuravam. Não a natureza domada dos jardins clássicos, mas a natureza em bruto, indiferente à nossa presença, que Rousseau já tinha começado a admirar e que o Sturm und Drang levou ao extremo.
Há, no entanto, uma diferença fundamental entre esta fotografia e o espírito original do movimento, que vale a pena assinalar com o mesmo pragmatismo de sempre. O protagonista típico de uma obra Sturm und Drang é levado à ação, muitas vezes violenta, por vingança, cobiça ou paixão desmedida, nunca pela contemplação serena. Quem fotografa uma tempestade a aproximar-se, em vez de correr para dentro de casa aos gritos como um herói de Klinger, está já mais próximo do romântico tardio do que do Stürmer original — ou seja, mais Caspar David Friedrich, com a sua figura solitária a observar o abismo, do que Goethe jovem a escrever Werther em fúria criativa. É uma ironia simpática: usamos o vocabulário emocional de um movimento que odiava a contenção, precisamente para descrever um momento de contenção contemplativa perante o mesmo tipo de céu que os inspirava a excessos.
Talvez seja essa, no fundo, a lição possível de um final de tarde assim: a tempestade que se anuncia não precisa de nos arrastar para o drama para nos ensinar algo sobre grandiosidade. Basta ficar a olhar, sem pressa, e deixar que o céu faça, sozinho, todo o trabalho de nos lembrar como somos pequenos perante ele.

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