Férias...
Sim, finalmente.
Confesso que estava mesmo a precisar. Desde 2019 que, em boa verdade, apesar de algumas breves paragens, não tinha férias na sua verdadeira aceção: parar, descansar, recarregar baterias e, talvez o mais importante de tudo, respirar fundo.
2026, ano de tantas mudanças, transições e transformações, trouxe também esta boa-nova. E ainda bem.
As últimas semanas foram intensas — muito trabalho, é certo —, mas houve também tempo para mim. Tempo sem a urgência dos dias, sem horários a impor-se a cada minuto, sem a constante sensação de que há sempre mais alguma coisa a resolver. Tempo para olhar em redor, caminhar sem destino obrigatório, observar e deixar que os lugares falassem.
Visitei sítios incríveis. Alguns, pela paisagem, pelas estruturas ou pelos objetos esquecidos no caminho, pareciam saídos de um qualquer filme de ficção científica: estranhos, silenciosos, quase irreais. Mas eram reais — e únicos. Havia o azul imenso, a água tranquila da ria, os barcos, os telhados antigos, os horizontes abertos e aquela luz do sul que põe tudo em perspetiva.
Conheci novas caras. Reencontrei outras que, para minha surpresa, julgava terem ficado noutro espaço, noutro tempo, talvez até noutra vida. Mas a vida tem destas coisas: não cessa de nos surpreender. Às vezes, devolve-nos pessoas, memórias ou possibilidades quando já não estávamos à espera delas.
Talvez seja isso que umas férias verdadeiras permitem: recuperar o fôlego, mas também recuperar a disponibilidade para o inesperado. Não se trata apenas de descansar o corpo. Trata-se de voltar a escutar-nos, de reconhecer o que ficou para trás e de aceitar, com alguma serenidade, aquilo que ainda pode vir.
Agora, é tempo de continuar. Mas com outro ritmo. E, espero, com mais espaço para respirar.

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