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O lugar fica

Podes sempre regressar a um lugar, mas não a um momento. Há lugares que não existem apenas no mapa. Vivem dentro de nós. Guardam versões nossas que já passaram, silêncios que tiveram o seu tempo, perguntas que ainda não sabíamos responder e dores que, talvez, só encontraram algum descanso depois de serem escritas. O Diário de Bordo nasceu assim. Quando o criei, em maio de 2024, não sabia muito bem onde iria dar esta viagem. Sabia apenas que precisava de um lugar. Um espaço onde pudesse pousar algumas inquietações, dar nome ao que, por vezes, parecia difícil de dizer em voz alta e partilhar, ainda que de forma imperfeita, aquilo que a vida me ia ensinando, nem sempre da forma mais suave. Naquele tempo, vivia um período particularmente exigente. Havia dentro de mim demasiado ruído, demasiadas perguntas e uma solidão que, embora escolhida, também pesava. A escrita surgiu como tantas vezes surge, não como uma solução para tudo, mas como um gesto de sobrevivência. Uma forma de respirar. Um...

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