Sem Fazer Planos
Há uma coisa que a vida me ensinou, sem grande cerimónia, ao longo dos anos: nem tudo precisa de resposta imediata. Vivemos rodeados de urgências, umas verdadeiras e outras fabricadas, e habituámo-nos a tratar quase tudo como se exigisse uma decisão instantânea. Mas há questões que só se resolvem com tempo, e tentar apressá-las costuma piorar as coisas em vez de as melhorar e, mais importante, resolver.
Não estou a falar de desistir. Estou a falar de uma paciência mais ativa, que observa antes de agir, que aceita não saber tudo de imediato, que dá espaço para as coisas se resolverem no seu próprio ritmo, com a consciência de que nem sempre existe uma solução. É uma paciência que exige mais disciplina do que a impulsividade, porque implica resistir à tentação de forçar uma resposta só para aliviar o desconforto de a ter em suspenso ou nem sequer a ter de todo.
Talvez seja também uma questão de humildade. Assumir que nem tudo está sob o nosso controlo, que há processos que correm por debaixo da superfície e só se revelam mais tarde, é uma forma discreta de nos livrarmos de um peso que carregamos sem necessidade. Como me disse o meu amigo R. por estes dias, nem toda a incerteza é um problema a resolver. Às vezes é apenas um estado a atravessar.
E é curioso como essa mudança de atitude, pequena e pouco vistosa, acaba por fazer diferença. Não porque resolva os problemas mais depressa, mas porque nos permite viver o tempo de espera com menos ansiedade e mais presença. No fim, talvez seja mesmo isso que se ganha: serenidade para continuar, sem pressas, mesmo sem saber exatamente onde tudo vai dar.

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