Santa Cona, ora aí está
Ouvi falar muito dela enquanto crescia — era uma espécie de mito. Não se lhe conhecia um lugar de adoração em nenhuma das muitas capelas, igrejas ou catedrais que por aí florescem e guiam a cristandade há mais de mil anos. Nem nos meus tempos de academia, nas cátedras de arte da antiguidade tardia, moderna ou contemporânea, que enquanto aluno tanto apreciei, foi identificada qualquer obra tendo como objeto esta Santa — ainda que guardada em museu ou na posse de um colecionador privado.
E eis que, volvido meio século de voltas ao Sol neste planeta que tão mal tratamos, do nada, numa parede qualquer, perdida neste cantinho à beira-mar plantado, me deparo com a ideia passada a grafite, homenageando esta nossa — e talvez vossa também — Santa Cona, que alguns dizem do assobio.
Amém, que a paz desta Senhora, tão nossa e vossa, siga convosco e, já agora, comigo também.

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