Novo porto, a mesma rota

Há dias em que sentimos que chegou o momento de arrumar a casa. Não por obrigação ou por seguir tendências, mas porque algo cá dentro nos diz que o espaço onde habitamos precisa de respirar de outra forma. Este é um desses dias.

O Diário de Bordo existe há algum tempo. Já navegou por mares calmos e por outros bem menos amigáveis. Já recebeu confissões, dúvidas, divagações e algumas certezas deste vosso humilde escriba. Continua a ser, acima de tudo, isso mesmo: um diário, onde partilho notas e apontamentos de um universo pessoal e transmissível. Um lugar onde as ideias atracam antes de partir para outro sítio qualquer, ou onde ficam, simplesmente, porque precisavam de encontrar um porto para as acolher.

Hoje, esse porto ficou um pouco diferente. A imagem de fundo mudou. Uma mesa de madeira, papel velho à espera de ser escrito, livros que já viram o que eu ainda não vi — e não sei se algum dia verei —, uma caneta que aguarda o próximo capítulo a partilhar convosco e, lá ao fundo, um mar tranquilo e uma luz que chega devagar. Reconheci nela qualquer coisa de familiar: um horizonte limpo, a atmosfera em que as melhores ideias costumam aparecer. E quis que fosse também essa imagem a receber quem aqui chega.


As mudanças visuais são, no fundo, isso mesmo: uma forma de alinhar o exterior com o interior. De dizer, sem muitas palavras, em que espírito se habita este espaço. Não há grandes proclamações nem manifestos, mas ideologia existirá certamente, porque todos temos a nossa, seja ela mais ou menos evidente. Há, portanto, uma mesa, um papel em branco, um céu limpo, o mar sereno e, não menos importante, a vontade de continuar a escrever.

O conteúdo permanece o mesmo. As divagações, as memórias, as questões sem resposta fácil, as referências inesperadas e os textos que surgem de madrugada. A bússola também não mudou — apenas afinei o espaço que a envolve.

Por isso, se já cá vinhas: bem-vind@ de volta, com direito a casa renovada. Se chegaste hoje, pela primeira vez: bem-vind@! O mar está calmo. A caneta está sobre a mesa. Fica à vontade.

Até já!

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