Sem pressa...
Nem sempre o que nos inquieta vem para nos desordenar. Às vezes, chega apenas para nos lembrar que continuamos vivos, sensíveis ao que nos toca e atentos ao que, por dentro, ainda pede nome. O problema começa quando confundimos intensidade com destino e entregamos ao ruído das emoções uma autoridade que nem sempre aquelas merecem ter.
Conheço melhor, hoje, a diferença entre querer muito e querer bem. A primeira pode nascer da vertigem, da carência, da ilusão de que alguém ou alguma circunstância virá finalmente pôr ordem no que levamos cá dentro. A segunda, por sua vez, exige outra espécie de maturidade. Pede lucidez, contenção e, sobretudo, paz. Não aquela paz exibida, pronta para a fotografia e a frase feita. Refiro-me à outra. A que não precisa de convencer ninguém e, por isso mesmo, se torna mais verdadeira.
Durante muito tempo, talvez tenha acreditado que a esperança vivia no excesso, na insistência, na teimosia quase romântica de forçar encontros entre o que desejamos e o que o mundo decide dar-nos. Hoje vejo as coisas com menos dramatismo e, arrisco, com mais verdade. A esperança, quando é séria, não implora. Permanece. Não corre atrás de tudo. Não transforma cada silêncio numa ameaça, nem cada distância numa condenação.
Existe uma forma muito digna de esperar. Não é passividade. Também não é resignação. É apenas a recusa de mendigar sentido onde ele não quer nascer. É saber que nem tudo o que nos escapa nos diminui. E que nem tudo o que tarda nos foi roubado. Certas respostas, se tiverem de chegar, chegarão sem violência. Certas presenças, se forem inteiras, não precisarão de ser arrancadas ao mundo a ferros.
Por isso, o meu estado de espírito, por estes dias, talvez se explique assim: trago menos pressa, menos necessidade de decifrar tudo e menos vontade de disputar com a vida aquilo que ela ainda não decidiu mostrar-me. Curiosamente, e apesar dos pesares, não me sinto mais pobre por isso. Sinto-me mais inteiro. Com uma serenidade que não nasceu da desistência, mas do entendimento. E com uma esperança limpa, sem euforia nem ingenuidade, apenas assente na ideia simples de que o que é verdadeiro encontra sempre uma forma de permanecer.
É isto...

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