E tu, esperas alguma resposta?
Há dias em que o que mais queremos é que a vida seja simples e que, como por magia, as decisões se resolvam sozinhas. Esperamos sinais, confirmações, luzes verdes, cartas, mensagens e até mesmo uma clareza súbita que nos dispense da responsabilidade e do ato de escolher. E, se formos honestos, às vezes também esperamos que o mundo tenha a delicadeza de alinhar primeiro as circunstâncias e só depois nos pedir coragem para fazermos o que tem de ser feito.
A verdade, porém, é ligeiramente mais inconveniente: a maior parte das respostas não vem embrulhada com um laço, como se de um presente se trate. Não chegam com selo, não tocam à campainha e, muito menos, trazem instruções fáceis de seguir. Têm, quando muito, um ar ambíguo. Tal como a vida. E é por isso que andamos tantas vezes entre o “sim”, o “não” e o “talvez”, com a elegância possível de quem sabe que escolher é, também, abdicar de outras possibilidades.
Há quem confunda indecisão com prudência. Não são a mesma coisa. A prudência escuta, pesa, espera o tempo certo. A indecisão, quando se instala, faz da espera uma forma sofisticada de adiar a própria vida. E é aqui que convém dizer o óbvio, com a solenidade que o óbvio merece: nem tudo precisa de uma certeza absoluta para avançar. Às vezes basta uma inclinação honesta. Um movimento pequeno. Um gesto que, por dentro, já decidiu antes de a cabeça admitir.
O divertido — e, em boa verdade, o ligeiramente cruel — é que a vida raramente nos oferece opções limpas. Há quase sempre um misto de promessa e embaraço, de vontade e receio, de desejo e consequência. Por isso, escolher é também aceitar que a perfeição não estava na mesa. Estava, quando muito, a hipótese menos má. O que, convenhamos, já não é pouco.
Talvez seja isso que nos salva neste mundo, por estes dias, cada vez mais estranho: perceber que não precisamos de ter razão em tudo para seguir em frente. Precisamos apenas de não nos trairmos demasiado no caminho. E isso, se me permitem a franqueza, já é uma forma bastante séria de inteligência.
Fica a nota. Para minha e, mais uma vez, vossa reflexão, também.

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