Sim, dizem...

Dizem que somos o que comemos, assim como dizem por aí que as tuas companhias definem quem és. 


Dizem isso tudo, é certo, mas eu, que já comi de tudo um pouco e andei com pessoas tão diferentes umas das outras, desconfio sempre destas certezas, ou verdades, tendencialmente absolutas. Mas a verdade é que, no fim do dia, o que mais nos molda não é tanto o prato ou a companhia: é aquilo em que escolhemos acreditar.​

Sim, "acreditar" é o verbo onde começa a mudança. Quando acreditas que não mereces melhor, aceitas migalhas. Quando acreditas que “é o que há”, acomodas‑te ao quase ou nada. Mas quando, um dia, decides acreditar que mereces paz, respeito e coerência, o mundo à tua volta não muda por magia – mudas tu, e isso chega para que muita coisa deixe de caber na tua vida. A crença certa é como aquelas lentes novas: de repente vês o que sempre lá esteve, mas agora com outra nitidez e clareza de espírito, também.

Só que acreditar não é acender uma vela e esperar sentado num qualquer sofá, no conforto de casa, à espera que o universo faça o resto. Acreditar implica trabalho, disciplina, quedas, recomeços e, mais importante, conversas difíceis contigo próprio. Acreditar é fazer o que for preciso para estares à altura daquilo que dizes que queres.

No fundo, meu pequeno gafanhoto, não somos apenas o que fazemos, comemos ou com quem andamos. Somos, sobretudo, e ainda bem, aquilo que alimentamos cá dentro, todos os dias – e o nome disso é força de vontade.

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