Entre o que somos e o que queremos ser
Somos feitos de muitas coisas, é verdade. E, nessa infinita matéria que nos constitui, a memória do que fomos e a consciência do que ainda nos falta ser são, arrisco, um pilar essencial na definição do que, e de quem, somos. Talvez por isso, ou não, certos textos, ou extratos deles, nos toquem particularmente, como se falassem diretamente connosco: porque, no fundo, não se limitam a descrever-nos, indo mais além e chegando mesmo a desvendar-nos.
Há, por isso, textos que não se limitam a falar-nos do significado das palavras que os constituem. Vão mais além e obrigam-nos a parar, a olhar para dentro e a reconhecer que, entre o que somos e o que fazemos para mudar o que somos, vai muitas vezes um salto quântico, diria mesmo uma vida inteira.
E talvez seja precisamente aí que reside a sua força, na medida em que nos lembram, e ainda bem, que a transformação não acontece por decreto, nem por aparência, nem por ruído exterior. A transformação começa, quase sempre, na honestidade de nos sabermos, e, não menos importante, reconhecermos na imperfeição característica da nossa condição humana.

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