Do medo de falhar...
Hoje deparei-me com esta notícia, numa publicação online partilhada pelo jornal Expresso numa rede social qualquer. O tema, embora já não seja novo, tem-se tornado recorrente nos últimos anos, talvez por força de vivermos num mundo acelerado, onde parar, respirar fundo e ter uma vida pessoal é visto, cada vez mais, como uma fragilidade e motivo de culpa para quem, corajosamente, o faz, escolhendo viver.
Nas sociedades contemporâneas, somos levados a medir o nosso valor, enquanto pessoas, pelo desempenho que temos enquanto profissionais, como se o emprego deixasse de ser apenas uma dimensão das nossas vidas e passasse, discretamente, a ocupar o lugar central da nossa própria identidade.
Talvez por isso o medo de falhar, e do que os outros pensam de nós, tenha vindo a adquirir uma importância crescente: não receamos apenas o erro, receamos a perda de estatuto, de reconhecimento e de utilidade, arriscando, no limite, o nosso amor-próprio. O fracasso deixou de ser visto como um contratempo para se tornar, para muitos, uma ameaça à imagem que têm de si próprios.
Há, arrisco, nesta relação uma violência silenciosa, porque quando o trabalho se confunde com o valor pessoal, qualquer dificuldade profissional pode ser sentida como uma espécie de desmoronamento íntimo: já não basta trabalhar bem, é preciso acertar, responder e corresponder sempre, como se a fragilidade inerente à condição humana fosse um defeito intolerável.
Mas a verdade é que falhar não é o contrário de ter valor. Falhar é parte da condição humana, tal como aprender, corrigir, recomeçar e crescer. O problema não está no erro em si, mas sim na sociedade que nos ensina a temê-lo como se fosse uma sentença, e não uma oportunidade de melhoria, como alguém me dizia um destes dias.
Talvez seja tempo de recuperar uma ideia mais justa de nós próprios: o trabalho é importante, mas não esgota aquilo que somos. Ninguém se define apenas pelos seus êxitos, nem se reduz aos seus momentos menos bons. Entre o desempenho e a dignidade há uma diferença essencial, e é bom não a perdermos de vista, pois só assim seremos melhores profissionais e, mais importante, conseguiremos ser mais felizes.

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