Das viagens...

A vida mudou e o hábito de viajar em solitude entranhou-se em mim, primeiro foi com algum receio que avancei, mas a verdade é que nos dias que correm é das coisas que mais gosto de fazer. Em boa verdade, devo dizer, até para não enganar o leitor, que mudei muito na última meia década da minha vida, não sou, definitivamente, o mesmo ser, por vezes, quando olho para trás, penso, sem me deixar de admirar pelos mistérios d'Ele ou, quiçá, do destino, como a nossa passagem pelo tempo e as experiências que vivemos são o combustível perfeito para a nossa transformação interior - tudo mudou para mim, é verdade, mas, reconheço hoje, que era necessário que assim fosse para que tudo permanecesse, parafraseando aqui esse vulto da literatura italiana, Giuseppe Tomasi di Lampedusa, que nos presenteou com o seu famoso romance Il Gattopardo (O Leopardo), tão bem transposto para a tela cinematográfica, em 1963, pelas mãos desse grande realizador, também ele italiano, Luchino Visconti.


Itália, minha bela Itália, berço de Vergílio e Ovídio, entre outros, autores clássicos que tanto me cativaram e conseguem, ainda hoje, prender-nos, através das suas obras, às estórias, mitos e lendas que nos deixaram, verdadeiras raízes da matriz cultural europeia contemporânea. Mas porquê esta lembrança de Itália, Miguel? Pergunta o leitor mais atento. Bem, a resposta é simples, este ano a minha viagem de solitude trouxe-me até Florença, importante referência do Renascimento, que, sob o alto patrocínio dos Médici, atraiu artistas como Michelangelo, Botticelli, Donatello, Leonardo da Vinci e Rafael, entre outros, cujas obras intemporais, pela sua beleza, temos o privilégio de poder contemplar nesta cidade.



Mas a verdade é que em Florença convivem hoje, por vezes, numa mesma praça, a beleza do que de melhor a Arte Moderna nos ofereceu com o que de mais mordaz a Arte Contemporânea nos traz, com a sua crítica social implícita.



E porque esta é a terra de Dante Alighieri e de Francesco Petrarca, também nos lavabos dos museus desta cidade se partilham frases feitas, é certo, mas verdadeiramente intemporais.



E tudo isto para dizer que a cada dia um ensinamento, assim como a cada viagem a sós uma nova descoberta de mim. É mesmo verdade, como alguém dizia, estamos feitos, mas não estamos acabados, por isso, enquanto houver caminho para fazer vou caminhando, como o poeta cantou.

Por hoje, ficamos por aqui... 

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